FORTALEZA VADIA

Uma onírica introspecção e análise fotográfica que redimensiona a percepção da subcultura da pichação

A contraponto que muitos pensam, a pichação carrega consigo uma série de conceitos artísticos, de linguagem e sociais estando enrustida em atos de vandalismo e em códigos indecifráveis pros demais que não encontram inseridos nessa subcultura. A história da pichação no Brasil teve início na ditadura militar onde o cunho era apenas político, permeia os anos 70 com a pichação poética, concomitantemente com o movimento punk nos anos 80, em São Paulo, influenciada pelas letras de capas de álbuns de Rock n’ Roll como SLAYER, KISS, JUDAS PRIEST, entre outros, letras essas retiradas do alfabeto celta, a estética do pixo paulista passar a ser uma antropofagia por debruçar da estética de um alfabeto de vários séculos, criando uma tipografia própria. A pichação é a única arte na qual o artista põe sua integridade física, jurídica e social em riscos elevados naturalmente criando um novo conceito de arte. O projeto fotográfico “FORTALEZA VADIA” surgiu de uma longa introspecção sobre relação artística da estética do “PIXO” com as linhas guias da arquitetura, os aspectos sociais da cidade de Fortaleza e os elementos da escrita com a luz.

Vendas – Pessoas vitimas da estatística surreal do desprezo pela interação social que deveria coexistir por parte da sociedade para com os pichadores.
Faixa Vermelha – Transeuntes e o motociclista dividem a faixa de pedestre sugerindo a possibilidade de uma trama fatal.
Pra Fazer a Diferença – Questionamento sobre a poluição visual de propagandas politicas, vendo-as como pichações enrustidas.
Outrem – Miscelânea de tipografias revelam uma série de influencias regionais na estética do “PIXO” que desvela uma fortaleza diacrônica.
1,5 andar – Pichação feita nas entrelinhas de Janelas torna a cidade um caderno de caligrafia imensurável aos olhos de quem o vê.
Janela Vadia – Pichações antigas em relação mútua com pichações feitas em outro espaço de tempo mostra que o Prédio carrega consigo uma espécie de “Estupro Social”. Primeira pichação na categoria “JANELA” feita na cidade de Fortaleza.
Suprema Centro – Trama secreta entre os pontos de fuga e a estética suprematista das linhas guias do centro da cidade.
Esquina Memorí – Algumas pichações de finados, o ponto comercial se revela uma CRIPTA que só terá vigência na consciência dos que portam a cosmo-visão da pichação.
Caixa de Morpheu – Pichações de várias gerações permeiam o tempo e condições climáticas nas Caixa d’água do centro tendo então outras cargas.
OUTDOOR – O “PIXO” concorre com o apelo visual das placas e outdoors.                O retrato da desordem civil por parte dos motoristas ao desluzirem o semáforo nos faz ter a convicção de uma “FORTALEZA VADIA”.

Rodrigo Belem é poeta, suprematista, artista experimental, carrega consigo uma cosmo-visão própria tornando a cidade e pessoas seu objeto conceitual, buscando então a fuga do vadio para o “não-ordinário”. Esta foi a 3° publicação mais acessada e criada no dia 5 de dezembro de 2014 no extinto #BlogDaAgencia. Confira o relato autor:

CURTE: Rodrigo Belem Photography

Em 2014, conheci Erick Paiva, veio de Minas Gerais pra fazer uma extensão na área da comunicação na UFC. Durante um ano vivemos a experiência de ser duas cabeças pensantes especulando sobre a linguagem, uma pessoa incrível que me apoiou e deu forças a dar luz a exposição fotográfica “FORTALEZA VADIA” de minha autoria. Quem me conhece de perto sabe que sou pixador há mais de 10 anos, mas de 2013 até o tempo presente tenho estudado o universo da pixação e tudo que o permeia por um período incessante e com afinco, criando laços inquebráveis com o PIXO, pixadores do brasil todo, ressignificando o conceito de cidade e urbanismo, e fazendo história. Por que o incômodo do pixo é inferior ao incomodo de um Duchamp, de um Godard, de S. Vicious, de H. Arendt, de Gogol, de V. Gogh, de Rimbaud, de Marx ? E tantos outros que arriscaram suas cabeças e sua vida particular em nome de um Grito sincero que diz “NÃO AGUENTO MAIS FICAR CALADO!!!” A pixação é uma denúncia, aos que não entenderam isso ainda, ACORDEM !!!

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Ensaio sobre o artista

 

O artista pertence à classe dos desclassificados. Tenta ter moral mesmo sendo assumidamente imoral. Ser artista é uma alternativa de vida. Você pode ser alguém ou pode ser artista. Ser artista é carregar a glória delirante de ser tudo e sustentar o peso prático de ser nada. O artista não é melhor nem pior que ninguém. É artista.

A permissividade rege o artista. O artista é a represenção física da palavra “Sim”. É natural do artista testar limites. Colocar extremos à prova. Influenciar, ser influenciado; corromper, ser corrompido; perverter e ser pervertido. É do artista desbanalizar o banal. Pra ele, viver é mais desgastante, tenso, pesado. O artista precisa de energia dobrada pois gasta energia em dobro. Além de manter-se atento com tudo, o artista está sempre atento com o “nada”.

O artista faz arte porque não tem tempo a perder com outra coisa. Ao contrário do que muitos pensam, o artista comumente é prático. Aliás, há uma série de prejulgamentos em torno do artista. Muitos acham que os artistas são pessoas mais ingênuas. Mas o artista é tudo, menos ingênuo. O artista é a malícia em carne e osso.

O artista é um espírito vivo. Ele é médium da sua própria entidade. Ele é capaz de resolver um problema pensando no que outra pessoa (que pode resolver o problema) faria se estivesse no lugar dele. O artista não apenas analisa e conhece pessoas. Quando convém, ele manifesta as outras pessoas nele próprio. O artista é mais louco que os loucos de hospício porque não admite ser chamado de louco e ainda tenta convencer o mundo inteiro de que sua loucura tem mais razão do que as outras razões. O artista quer desabrochar; quer se vingar. Se vingar de quem o chamou de louco. O artista quer vingança.

Artistas são cobaias da existência, cobaias da vida, cobaias de si. O artista não vive a regra. Ele flerta com a regra. Joga com a regra o tempo inteiro. Mantém um amor platônico com a regra. Mantém-se à margem da regra e se alimenta desta distância. O artista flui pela trangressão. Seu tempo é outro. No fundo, porém, o artista deseja a regra. Sabe que a regra é o seu bem mais precioso. O artista vive em crise porque vive da crise, se alimenta de crise. Pro artista, o conforto é extremamente desconfortável. O artista não tem paz. E não sabe viver em paz. O artista é o anjo caído. É o pastor do questionamento. É o advogado do contra em qualquer circunstância.

O artista sempre cria algo da margem. Nunca cria algo do centro. Entretanto, ele faz questão de convencer o centro com sua margem. Artista não se comunica, artista transa. Artista não observa, ele estupra. Quando um artista compreende algo, ele exorcisa algo. O artista tem uma postura promíscua perante à vida. Ser artista é ser promíscuo no sentido mais libertário da palavra. O artista é o instrumento que a Vida usa pra se expressar. É o pretexto que os deuses encontram para manifestar suas facetas. É o argumento que a existência tem para justificar suas contradições. O artista não é iluminado. Ele ilumina. O artista é um aglomerado de vida, um nódulo de vivacidade dessa teia objetiva. O artista é um acidente sistêmico. O artista é imortal porque a Vida não morre. Ele nasce na medida em que a Vida transborda.

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